segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Chocolate

   Ah, já está assim, moça? Se já está, então me deixe falar... não tá fácil mesmo! Até o cara de Fortaleza disse que a coisa no sertão é feia. E lógico, eu acredito nele; aliás, acredito até pouco, lá deve estar pior, bem pior que minha tempestade sentimental. Afinal, quem sou eu para fazer minha tempestade mudar o eixo da Terra? Chove a todo momento e ninguém vê. É que chove nos corações perdidos, que acabam brincando de Bungee Jump sem a corda, ou ainda nos corações quietos, misteriosos, lugar que querem entender, mas mal há troca de sangue, imagine troca de experiências.
   Os corações se fazem de chocolate Blend, meio que camuflando seus 20% de amargura no sabor acentuado do ao leite. E quem não gosta de chocolate, não é? Esse gostinho mínimo do amargo não tem importância até comer demais e sentir que nem seu cérebro se satisfez com aquilo. Alguma coisa de errado tem aí. E te digo mais, moça, você só vai conseguir apreciá-lo quando souber atribuir qualidades igual fazem os confeiteiros, que sabem como derretê-lo e refazê-lo, criando formas apreciáveis e dizendo que os 20% fazem parte do sabor, pois sem eles, você iria enjoar.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Término do começo

   Cadê essa morte? Ela é uma sumida mesmo. Que é ela senão viver? Pra mim, ela não é ninguém. A música é alguém pra mim. Certa vez vi que música era música pelo M de "minha", U de "única", S de"salvação", I de "inércia, C de "cada" e A de "abatimento". Minha única salvação da inércia de cada abatimento. Lindo não?
   Só que aí vem gente com música feita para a morte. Eu devo concordar, ambas nos levam a algum lugar, nem que seja pra dentro do nosso próprio eu. Talvez a sumida também nos leve lá. Assim eu espero, porque vivo morrendo de felicidades, morrendo de amizades, morrendo de amores, morrendo de dores. A vida é cheia de morte (e a morte é cheia de vida) e ainda fazem disso um tabu.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Vida reconhecível

   E eu tentando fazer textos iguais aqueles de tributo que publicam em sites. Risos, só porque sou meio que inteira escandalosa pela metade, mas sempre. E porque não me vem aos olhos da alma isso de ser estar para os outros. Nem à retina, nem ao cristalino, nem à córnea, nem à íris... puro egoísmo!
   Estava pensando nos raios lambda, com aquela piadinha da lambida, que todos professores têm de fazer. Infames são, mal reconhecem o poder de quem pode fazer algo sem ser visto. Risos. Ando tão engraçada comigo mesma e tão irreconhecível para os que não vivem dentro de mim.


E aqui um vídeo aleatório... aleatório caso você seja alguém que não vive dentro de mim.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Linguagens ou figuras de alguma coisa

   Hoje as figuras de linguagem não estão me ajudando. Aliás, ninguém. Essa é aquela hora que a gente quase grita por um profissional da área porque não tem coragem de contar nem pro melhor amigo que a metáfora não se sente bem o suficiente pra me encarar.
   Que o paradoxo viu que eu me afoguei no mar da felicidade e ainda não fez nada. Que a anáfora sentiu que eu morri, sentiu que morri, sentiu morri, sentiu. Me sentiu só.
   Há quem diga que a catacrese saiu falando que me enxergou encolhida lá debaixo, junto ao pé da mesa, me tornando uma coisa só. Só. E não me dizia o hipérbato a hora certa de voltar à ordem. Não havia hora.
   Dizia a onomatopeia para gritar mesmo, urrar, quem sabe alguém me ouvisse. Foi aqui que me apareceu o pleonasmo me jogando no peito o meu diagnóstico. Eu tinha antítese.
   "Isso se cura com anti-medo, minha filha", disse o velho.

"Ninguém disse que seria fácil."