terça-feira, 18 de agosto de 2015

Besteiras de Lua

   Você já viu a Lua hoje? Aquele sorriso de gato da Alice me derrete. Eu fico bons minutos olhando, esperando que os olhos apareçam. Se um sorriso desse me derrete, eu não sei descrever quando se torna cheia de si, imponente, faz refletir sua luz nos olhos. Só que a luz nem é dela. E quem diria que o Sol continuasse com a gente mesmo na noite? Ele se esconde atrás da Lua há bilhões, trilhões, infinitos anos. E sabe o que eu acho? Que ele se esconde ali, bem atrás dela, porque a deseja. Bastaria um momento de falha e a Lua estaria virada, com o Sol em seus braços, apaixonados, e a Via Láctea estaria perdida. Hahahahaha.
   De tantos planetas deste sistema e ele foi escolher bem a nossa Lua? Saturno lá com suas saias rodadas tão elegantes, confeccionadas de anéis, e o Sol quis esta Lua. Concordo que é a mais graciosa. Tomara que um dia se apaixonem!

domingo, 12 de julho de 2015

Observadora

   Eu nem tenho o que dizer. Você ali, sentado, imerso por sentimentos de Humanas, misterioso por inteligência. Lindo, sentado, imerso por sentimentos de Humanas, misterioso por inteligência. Jogando olhares daquele jeito (por vezes frutos da minha imaginação), ali sentado, imerso por sentimentos de Humanas, misterioso por inteligência.
   É confortante estar na sua presença, rir do que você fala, gostar do que você fala, amar sua voz. Acho que havia esquecido o que é isso. Mas, ao mesmo tempo, eu não poderia deixar à mostra que eu te olharia falar durante a noite toda. Que eu poderia olhar seus cabelos loiros e suas mãos gesticulando sem cansar.
   O significado de ter esta imagem como foto de capa é ela não ter significado. Olhar pra ela e pensar em duas pessoas se acariciando mutuamente. Olhar e imaginar o quanto ela resiste ele, não o querendo. Olhar e pensar que ela quer tanto o bem dele, que não o quer vendo as barbaridades mundanas. Olhar e querer que eles sejam namorados que irão casar e se amar para sempre. Olhar e ter a certeza de que ela o ama sem que ele veja. E então ver nos olhos dela o quanto isso dói, mas que seja para o bem dele.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Instante de vida

   "No mesmo instante em que se concentrava no fato de existir, pensava também que um dia morreria. E o mesmo ocorria o contrário: só quando sentir intensamente que um dia desapareceria é que pôde entender exatamente o quanto a vida era infinitamente valiosa. E quanto maior e mais clara era uma face da moeda, tanto maior e mais clara se tornava a outra. Vida e morte eram os dois lados de uma mesma coisa."
-O Mundo de Sofia.

domingo, 10 de maio de 2015

Fingimento

   Fingir que nada aconteceu é a pior coisa que existe. Continuar a vida sorrindo, fingindo que todos os móveis ainda estão na casa montados e a pessoa ainda mora lá, é a pior coisa que existe. Não que não devamos continuar sorrindo, mas fingir que a mudança não fez diferença me dói. Eu só finjo. Eu finjo pra não lembrar as pessoas que eu mais amo sobre a dor. Eu finjo que nenhuma lembrança me toca para não chorar na frente de quem choraria junto comigo. Eu falo com um sorriso no rosto pra fazer o coração alheio lembrar gostosamente das coisas. Mas a pessoa realmente não mora mais lá... os móveis dela não estão mais lá. A árvore de Natal dela não é mais montada. A mesa da varanda não é mais preenchida com os melhores almoços de domingo. Eu não acompanho mais ninguém até à padaria pra buscar um refrigerante pro almoço. A gente não passa mais o Dia das Mães lá. A gente não recebe mais uma visita todo sábado. Até o Beethoven sabia. A gente não deita mais naquele tapete, debaixo do ventilador, e dorme sem querer. A gente não xinga mais os meninos que deixam cair a bola dentro daquele quintal. Eu não ganho mais sorvete colorido daquelas sorveterias de bairro afastado. Eu não sinto mais aquele cheiro peculiar das roupas dela. Nem aquele cheiro misturado de amaciante e esmaltes que o quartinho da máquina de costura tinha. E eu não ouço mais a máquina de costura. Nem a vejo costurar roupinhas pras minhas bonecas com aquele óculos redondinho, caprichosa que só. Eu não sinto mais o gosto de leite morno com Nesquik de uma manhã friozinha ao dormir no quarto de hóspedes. Não ouço a televisão falar sobre as novelas mexicanas da tarde. Não vejo bobes nos seus cabelos, nem os fios brancos que devem ser pintados logo. Eu só finjo não sentir falta de tudo isto.

   São nos meus mais desesperados sentimentos que eu penso se mais alguém chora escondido. Eu gostaria mesmo que não, mas é impossível não sentir falta da pessoa mais batalhadora e maravilhosa com quem já convivemos um dia. Feliz Dia das Mães, por todos os seus filhos e netos. [Eu sinto uma saudade desgraçada de você.]

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ao melhor dos professores

Dê play.

   Desejo que você receba os melhores abraços dados pelas pessoas mais estranhas. Desejo que descubra o amor por um filho. Desejo que você veja o céu azul antes de uma tempestade. E que veja as sete cores do arco-íris depois dela. Desejo que sinta felicidade ao sentir a água da cachoeira em seu cabelo. Desejo que você reconheça a beleza dos quadros de Da Vinci tanto quanto idolatra a genialidade de Newton. Desejo que ame um cachorro tanto quanto ele lhe ama. Desejo que você fique feliz pela risada que causou a uma criança que precisava. Desejo que derrame uma gota de lágrima ao ouvir uma música de Beethoven. Desejo que você sinta o gosto do amor que sua mãe coloca num prato de comida. Desejo que você não veja mais desilusão e que encontre a solução. Desejo, de coração, que acredite em Deus. Mas que não o clame por ajuda quando precisar, mas que o agradeça por ser quem você é, por um dia Ele ter lhe criado. Para que, no momento em que alguém estiver com a face à sua frente, você não a ataque mais com palavras e não a faça olhar para seus bichos de pelúcia para que tivesse a chance de não ouvir seu rebaixar. Que não a faça olhar os ponteiros do relógio e sentir o pesar do tempo que ela perde não vivendo cem por cento como gostaria. E que muito menos a faça desidratar os olhos. Os olhos dela são bonitos.