sábado, 21 de julho de 2012

Tentativa de um feliz dia do amigo


  Que a aparência supra as necessidades da ausência. Que a atitude encubra os medos da ansiedade. Mas e a amizade? A amizade fica pra depois, bem escondida no cérebro humano. Algo que, se notado no coração, faria estragos afetivos. Porque no final das artérias, os sozinhos só anseiam por sua atenção, por sua palavra de importância.
   E respirar o ar pra quê? Ter o amor de irmão amigo entrando pelos pulmões e enchendo o peito de alegria já é o necessário. Teus pés não caminham sozinhos, mas sim um ao lado do outro, em perfeita sincronia, num vai e vem que te levam à beira do mar pra sentir a água bater no fundo da alma.
   Já tuas mãos, dão-se de si cada vez que cumprimentas o sujeito à frente, assumem compromissos quando colocas o objeto circular durante anos no anular esquerdo. Estendê-la às vezes não é doloroso, sentes a anestesia sentimental e o manicômio interno se esvaziando.
   Mas dirigir agora a ausência diante da ansiedade e a atitude diante da aparência? Já nasceste! Procura logo o acostamento, conserta teu velocímetro psicológico e segue viagem com aquele que te ofereceu carona para toda a vida.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A propósito...

   Diga-me que não sou a única a descobrir a arte após 17 anos. Tarde ou cedo demais para conseguir ver a beleza humana ocultada nas páginas de livros, de quadros inexplicáveis, de sons que disparam esta coisa aqui no peito. A sociedade perdeu o horário no relógio de descobrir o real mundo. Porque este é cópia infiel do que importa, imagine do lado de lá. Eu tenho certeza do que quero encontrar, aliás, do que não quero perder.
   O quente que sobe aos olhos, derramando umas coisinhas indefinidas em lágrimas. Mas eu nunca havia visto antes, como se não existissem anjos. Foi questão de aprender a rezar e eles logo me apareceram, por proteção ou simples satisfação, reluzentes como a luz do Sol. E que medo de perdê-los para o mar, infinitamente inesgotável, como ocorreu com a estrela.
   Vem à tona a vontade do uso do verbo no modo subjuntivo: que os animais sobre duas patas continuem a descobrir e valorizar a coisa toda, se é que a posso chamar de arte, apesar de restringir sentimentos, afazeres, genialidades e suor. Mas vontade não sobrepõe necessidade, aquela de conjugar no imperativo: faça a justiça e faça por completo, que os ricos de espírito não se alimentam apenas de sonhos e esperança.
   Toda esquina tem um quê que espera um desesperado, todo semáforo se atira no vermelho para te fazer prestar atenção, toda buzina se anuncia como um toque sinfônico de recolhimento, todo mau-gesto do carro ao lado é um regimento de maestro, todo artista está lá para que seja notado.


Quem sabe os fortes entendam

Casar-me-ei e veja com que monólogo maridal me deparo:
   “Entraremos na igreja ao som de Fuel, já explodindo! Quando brigarmos, a trilha sonora será St. Anger. Mas vem o momento das desculpas e, se não me perdoares, implorarei com Unforgiven, insistirei com Unforgiven II e, caso não dê certo, tenho esperanças na Unforgiven III. Até amolecer o coração e tocar The Unnamed Feeling, nem que seja para um coração de pedra. Mas me perdoarás, afinal And justice for all.
   E saibas que a vida é dura, se nos depararmos com uma barata na cozinha e tiveres medo, cantarei Die Die, my Darling e a pobre se extinguirá!
   Irás reclamar da finidade da Battery do controle remoto. Mas o que me incomoda mesmo é a Dirty Window que a empregada deixa. Se ela retrucar e tentar colocar fogo em mim, colocarei fogo nela de volta. Aprendi que na vida é Fight fire with fire.
   Ainda no trabalho, fico nervoso, tenho vontade de desaparecer. Quem sabe um dia I disappear. Mas já penso logo no filhote, na volta paro naquela loja de brinquedos Master of Puppets pra comprar um boneco. Volto para casa, minha mulher de cara me dá as boas vindas com um “Welcome home! Tem Whiskey in the jar sobre a mesa, querido”.
   E depois de mais One dia de vida, antes de dormir, ou Until it sleeps, dou um beijo nela, mas não o Kiss of Judas, mas um verdadeiro, e durmo feliz. Afinal, Nothing else matters!”  L.G.F.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Prostíbulo ao ar livre, porque ninguém lerá se não tiver anúncio de jornal comprado


   E qual o seu limite? Já estabeleceu suas horas de consumo hoje? Já tirou a venda dos olhos, que te venderam na lojinha da esquina? Já perguntou para sua avó de quem ela roubava wi-fi na década de 50? E de qual vizinho será ela tinha mais raiva?
   Ah, com certeza diria que era da mulher fruta que morava ao lado direito e dançava na rua o dia todo. Porque prostíbulo ao ar livre era normal naquela época, minha neta. Será que ela sente saudade de tudo aquilo? Mas é claro, hoje só se ouve música clássica: Beethoven, Mozart, Bach, Vivaldi. Hoje se dá valor nas coisas, nas mulheres, nos seus corpos, na família, no amor. Antigamente não era assim, ela gostava mesmo é de ser promíscua.
   Mas o pai sempre tentava levar à igreja, ouvia o padre dizer: “Que a nossa espada seja vossa defesa” e logo ela pensava o indevido, levava ao pé da letra aquela história de “decifrar o que há por trás”.
   Que a nossa espada seja vos... que a noss... nossa! Como os sem cérebros humanos fizeram da espada sua maneira de viver. A espada que tirou sangue de seus próprios braços e corações, que arrancou a força as lágrimas dos inocentes possuídos de esperança. Mas eles logo se conformaram e gostaram de ver o vinho da taça cair em suas mãos com cifrão. Daqui em diante, aprenderam a comprar seus sonhos.

E por que não conhecer os insetos interiores?


E assim, animais ou menos assim, descompromissados com o próprio rumo.