E qual o seu limite? Já estabeleceu suas horas de consumo
hoje? Já tirou a venda dos olhos, que te venderam na lojinha da esquina? Já
perguntou para sua avó de quem ela roubava wi-fi na década de 50? E de qual vizinho
será ela tinha mais raiva?
Ah, com certeza diria que era da mulher fruta que morava ao
lado direito e dançava na rua o dia todo. Porque prostíbulo ao ar livre era
normal naquela época, minha neta. Será que ela sente saudade de tudo aquilo?
Mas é claro, hoje só se ouve música clássica: Beethoven, Mozart, Bach, Vivaldi.
Hoje se dá valor nas coisas, nas mulheres, nos seus corpos, na família, no amor.
Antigamente não era assim, ela gostava mesmo é de ser promíscua.
Mas o pai sempre tentava levar à igreja, ouvia o padre
dizer: “Que a nossa espada seja vossa defesa” e logo ela pensava o indevido,
levava ao pé da letra aquela história de “decifrar o que há por trás”.
Que a nossa espada seja vos... que a noss... nossa! Como os
sem cérebros humanos fizeram da espada sua maneira de viver. A espada que tirou
sangue de seus próprios braços e corações, que arrancou a força as lágrimas dos
inocentes possuídos de esperança. Mas eles logo se conformaram e gostaram de
ver o vinho da taça cair em suas mãos com cifrão. Daqui em diante, aprenderam a
comprar seus sonhos.
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