segunda-feira, 16 de julho de 2012

Prostíbulo ao ar livre, porque ninguém lerá se não tiver anúncio de jornal comprado


   E qual o seu limite? Já estabeleceu suas horas de consumo hoje? Já tirou a venda dos olhos, que te venderam na lojinha da esquina? Já perguntou para sua avó de quem ela roubava wi-fi na década de 50? E de qual vizinho será ela tinha mais raiva?
   Ah, com certeza diria que era da mulher fruta que morava ao lado direito e dançava na rua o dia todo. Porque prostíbulo ao ar livre era normal naquela época, minha neta. Será que ela sente saudade de tudo aquilo? Mas é claro, hoje só se ouve música clássica: Beethoven, Mozart, Bach, Vivaldi. Hoje se dá valor nas coisas, nas mulheres, nos seus corpos, na família, no amor. Antigamente não era assim, ela gostava mesmo é de ser promíscua.
   Mas o pai sempre tentava levar à igreja, ouvia o padre dizer: “Que a nossa espada seja vossa defesa” e logo ela pensava o indevido, levava ao pé da letra aquela história de “decifrar o que há por trás”.
   Que a nossa espada seja vos... que a noss... nossa! Como os sem cérebros humanos fizeram da espada sua maneira de viver. A espada que tirou sangue de seus próprios braços e corações, que arrancou a força as lágrimas dos inocentes possuídos de esperança. Mas eles logo se conformaram e gostaram de ver o vinho da taça cair em suas mãos com cifrão. Daqui em diante, aprenderam a comprar seus sonhos.

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