sábado, 21 de julho de 2012

Tentativa de um feliz dia do amigo


  Que a aparência supra as necessidades da ausência. Que a atitude encubra os medos da ansiedade. Mas e a amizade? A amizade fica pra depois, bem escondida no cérebro humano. Algo que, se notado no coração, faria estragos afetivos. Porque no final das artérias, os sozinhos só anseiam por sua atenção, por sua palavra de importância.
   E respirar o ar pra quê? Ter o amor de irmão amigo entrando pelos pulmões e enchendo o peito de alegria já é o necessário. Teus pés não caminham sozinhos, mas sim um ao lado do outro, em perfeita sincronia, num vai e vem que te levam à beira do mar pra sentir a água bater no fundo da alma.
   Já tuas mãos, dão-se de si cada vez que cumprimentas o sujeito à frente, assumem compromissos quando colocas o objeto circular durante anos no anular esquerdo. Estendê-la às vezes não é doloroso, sentes a anestesia sentimental e o manicômio interno se esvaziando.
   Mas dirigir agora a ausência diante da ansiedade e a atitude diante da aparência? Já nasceste! Procura logo o acostamento, conserta teu velocímetro psicológico e segue viagem com aquele que te ofereceu carona para toda a vida.

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