Diga-me que não sou a única a descobrir a arte após 17 anos. Tarde ou cedo demais para conseguir ver a beleza humana ocultada nas páginas de livros, de quadros inexplicáveis, de sons que disparam esta coisa aqui no peito. A sociedade perdeu o horário no relógio de descobrir o real mundo. Porque este é cópia infiel do que importa, imagine do lado de lá. Eu tenho certeza do que quero encontrar, aliás, do que não quero perder.
O quente que sobe aos olhos, derramando umas coisinhas indefinidas em lágrimas. Mas eu nunca havia visto antes, como se não existissem anjos. Foi questão de aprender a rezar e eles logo me apareceram, por proteção ou simples satisfação, reluzentes como a luz do Sol. E que medo de perdê-los para o mar, infinitamente inesgotável, como ocorreu com a estrela.
Vem à tona a vontade do uso do verbo no modo subjuntivo: que os animais sobre duas patas continuem a descobrir e valorizar a coisa toda, se é que a posso chamar de arte, apesar de restringir sentimentos, afazeres, genialidades e suor. Mas vontade não sobrepõe necessidade, aquela de conjugar no imperativo: faça a justiça e faça por completo, que os ricos de espírito não se alimentam apenas de sonhos e esperança.
Toda esquina tem um quê que espera um desesperado, todo semáforo se atira no vermelho para te fazer prestar atenção, toda buzina se anuncia como um toque sinfônico de recolhimento, todo mau-gesto do carro ao lado é um regimento de maestro, todo artista está lá para que seja notado.
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